Por Francisco Escórcio, ex-senador da República
Existe aquela velha fábula sobre um escorpião que pede carona a um sapo para atravessar um rio. No meio do trajeto, o escorpião pica o sapo enquanto ambos afundam nas águas, o sapo pergunta o motivo da traição, já que aquilo condenaria os dois.
O escorpião simplesmente responde: “Eu não pude evitar, é a minha natureza”.
Na política do Maranhão, o governador, Carlos Brandão tem demonstrado, com clareza cristalina, não conseguir resistir à sua própria natureza.
Há algum tempo, venho alertando sobre o silêncio inexplicável e o apagamento do nome da ex-governadora Roseana Sarney nas articulações comandadas pelo grupo do governador. Apesar de Roseana aparecer muito bem-posicionada nas intenções de voto, liderando a corrida ao Senado em absolutamente todos os cenários, o Palácio dos Leões preferiu deixá-la simplesmente fora do radar.

O desfecho dessa crônica anunciada foi confirmado publicamente quando Brandão reafirmou o senador Weverton Rocha como o primeiro nome da chapa ao Senado nas eleições de 2026, anunciando ainda que a segunda vaga será destinada a uma indicação partidária da sua conveniência.

Roseana foi sumariamente abandonada por Carlos Brandão, e ela não foi a única vítima dessa falta de compromisso. O governador descumpriu o pacto histórico para a sucessão no Palácio dos Leões em 2026, rompendo o acordo com o hoje ministro do STF, Flávio Dino e com o vice-governador, Felipe Camarão, mais grave ainda essa atitude representa uma traição direta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que já declarou seu apoio público e irrestrito à pré-candidatura de Camarão.

Lula, um líder cuja essência é a gratidão e a fidelidade aos compromissos, vê agora o governador Brandão virar as costas para a estabilidade do grupo e colocar em risco o futuro do Maranhão e de sua gente.
A ingratidão, porém, não para por aí. Esse movimento errático de Carlos Brandão atinge também em cheio o ex-presidente José Sarney, figura central que, com sua habilidade ímpar, articulou e avalizou pessoalmente o apoio do presidente Lula a Carlos Brandão no passado. Essa união de forças, chancelada por Sarney, resultou em imensos benefícios para o Maranhão e para a nossa população.

Virar as costas para essa aliança estrutural é um desrespeito não apenas à história política do estado, mas à própria base da governabilidade, como integrante histórico do MDB, tanto em nível nacional quanto maranhense, foi exatamente por antever esses movimentos de Brandão que decidi agir.
Percebi com clareza que essas manobras culminariam no enfraquecimento e na desidratação estrutural do partido, legenda da qual fiz parte, que ajudei a construir e pela qual tenho o mais profundo respeito.
A armadilha estava desenhada. Por não compactuar com a captura do MDB para interesses que não honram sua trajetória, deixei a sigla e me filiei ao PSDB.
Neste cenário de quebras de confiança, é preciso pontuar as coisas com a serenidade que o debate público exige, mas sem fechar os olhos para a realidade.
Nos bastidores e nas rodinhas de conversa do estado, não é segredo para ninguém que o governador de fato atende pelo nome de Marcus Brandão.

O irmão do governador assumiu as rédeas das articulações e, na prática, tem sido o principal responsável por essa completa fragilização do MDB, pavimentando o caminho para o isolamento de aliados históricos, como Roseana e o descumprimento de acordos vitais. Isto tudo é, me perdoem, repugnante.
Na política, assim como na travessia do rio da fábula, quem trai os aliados que o ajudaram a chegar à outra margem acaba afundando junto com as próprias promessas. Carlos Brandão, agindo como o escorpião, fez a sua escolha. Resta agora ao povo maranhense, o verdadeiro juiz dessa travessia, avaliar no tempo oportuno quem tem palavra, quem honra a lealdade, e quem apenas segue a sua natureza, própria e traidora.
Madeira: o chefe da casa civil e a arte de Trair…
Para muitos observadores da política maranhense, não foi por acaso que o ex-prefeito de Imperatriz, Sebastião Madeira ocupou um dos cargos mais estratégicos do governo Carlos Brandão.
Como chefe da casa civil pode ter coordenado e arquitetado traições contra a família Sarney e o grupo do hoje Ministro do STF e ex-governador do MA, Flávio Dino.

Alguns críticos, enxergam Madeira como um verdadeiro professor para Carlos Brandão, com histórico marcado pelo pragmatismo extremo, onde alianças são construídas, reformuladas e abandonadas de acordo com as conveniências do momento.
Não foi por acaso que ele foi escolhido, sua atuação frequentemente é associada à capacidade de redesenhar cenários de poder conforme seus interesses.
Foi justamente essa experiência que o levou ao centro das decisões do Palácio dos Leões. Na Casa Civil, cargo responsável pela articulação política do governo, Madeira passou a ocupar uma posição privilegiada para influenciar estratégias, aproximar aliados e redefinir prioridades. Para adversários do governo, sua presença simbolizou a chegada de uma visão política baseada na gratidão.
Para os críticos, Madeira não teria sido apenas um auxiliar de governo, mas uma das principais referências de uma forma de fazer política em que alianças são instrumentos e não compromissos permanentes. Nessa narrativa, Brandão teria aprendido rapidamente as lições da sobrevivência política, assumindo para si uma estratégia de autonomia e fortalecimento próprio, ainda que isso significasse o rompimento com antigos parceiros.
Se essa leitura é justa ou exagerada, cabe ao debate político e à história responder. O que não se pode-se negar é que a presença de Sebastião Madeira no Governo Brandão representa em si covil de escorpiões.
